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Escutem... Por favor, escutem! Está tão linda minha nova playlist. :(

179Afinal, quem é o culpado por tanto amor? O cérebro ou o coração?
Diante de tantas probabilidades, cheguei a conclusão que ambos estão me maltratando. O coração, esse tolo, sempre arranja um jeito de se esquivar e se apaixonar por alguém. Infeliz, sempre se apaixona pela pessoa errada. Coração tolo, se deixa levar por simples ações e quando vê a pessoa, sempre bate mais rápido e mais forte. Coração tolo, sempre enxerga coisas que não existem, e sempre se dá mal e me leva junto. Coração tolo e imprudente, dirige por aí numa velocidade absurda e ainda não quer ser parado por um muro de concreto ou um poste. Coração idiota, bêbado de tanto amor.
Cérebro, outro tolo. Você me faz sofrer também… Você fica lembrando dos momentos bons e a saudade vem. Você lembra dos momentos ruins, e a saudade espanca, coração se parte. Cérebro tolo, sempre fica imaginando como está a pessoa, e sempre imagina novas possibilidades desse amor dar certo. Cérebro idiota, sempre me deixa em maus-lençóis e me faz vomitar dor. Cérebro e coração, tolos! Sempre se apaixonando ou lembrando de algo que não me faz bem. Não culpo ao amor, culpo ao meu cérebro e ao meu coração. Dois novatos no quesito “amar”.
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Tu não gostas da minha poesia
implicas com meu jeito de falar.
Brigas comigo por teimosia
só pra ver até onde vou aguentar.

Queres me ver fora de mim
eu não sei o que tem de bonito nisso
mas me entrego mesmo assim
pareço um amante submisso.

É assim que me sinto!
submissa aos teus desejos
seguindo meus instintos
aproveitando cada ensejo.

Céus! Quem ontem disse “jamais”
hoje se arrepende e pede: “por favor
ainda que eu não seja capaz
insista em mim, meu amor”.

E dizes que sim…
e tocam músicas em meus ouvidos
e sinto cheiro de alecrim
e chamo teu nome n’um gemido.

Não aprecia minha rima
não é carente como sou
mas me chama de sua menina
e eu, toda me dou.

65Sou tão excessiva
Gosto quando tudo acelera
Quando tudo desaba
Explode.
Mesmo assim
Fico calma
E espero
Um transe encantador.
Um êxtase iluminador.
E tudo isso
É tão inexplicável
Chega a ser inexorável.
41O direito de não querer o amor de ninguém a não ser o teu, eu tenho. As direções que teus olhares se perderam não passaram na frente da minha casa, nem na cidade onde moro. Voltamos ao circulo que não nos fez, nem quando torto de fez infinito. Você nem se fez real enquanto me cantava hinos, você nem se esforçou pra parecer interessado nas mentiras que contei. Minha facilidade de morrer me traz uma alma nova toda manhã, me traz um chá de limão e convida a sentar. Essa facilidade de jogar no vento as dores que me apunhalam pelas costas me desprende de você, do que você carrega no cabelo e no olhar. Se morro todos os dias, nascerei com o cabelo curto, fumarei três cigarros por hora e sentarei na escada todos os dias esperando você passar. Um dia você cansa de me ver nascendo em você, e morrendo onde sua porta bate e renascendo em teu olhar. A quinta que amei se revelou e me fez nascer assim, com o cabelo alisando o peito, o olho escuro – onde ninguém mergulha, com a boca rosada e um coração cheio de vazios preenchidos por vontade. Que a solidão que te balança se vá, que a vontade de rir da nossa saudade morra quando o choro percorrer teu rosto, eu só vou sussurrar que sinto a sua falta quando meu sangue cobrir as folhas que escrevo. Que por sinal, são todos os dias que me permito, que me embrulho e me mando em forma de carta.
Se o meu cabelo cai no meu rosto é pra esconder a obscuridade que eu já carreguei no olhar. E o que sobrou de mim foi só amor. Eu sou amor no fim das contas.
582Eu desenhei teus olhos só para fingir que eles me pertenciam. E para, quem sabe, devolver o brilho que se perdeu com o findar da noite. Ainda sinto teus dedos a pressionarem os meus… Nada, além disso. Tu não deixaste nenhum vestígio; não há nada que lhe torne tangível. Vazio por natureza, era o que tu dizias. E eu me esvaziei ao tentar te preencher de alguma maneira. Indiferente, egoísta, eu diria. Diria e nada disse. Nenhuma palavra. Eu morria enquanto teus lábios se uniam aos meus, eu chorava sem derramar uma só lágrima. Meu rosto ardia, prendia os soluços num engasgo e me afogava nos teus braços.
Você me olhava sem jamais me ver. Dava as costas pros meus silêncios e dizia voltar quando desse. “Você já me amou em pelo menos uma das vezes em que falou isso?” era o que eu queria dizer sempre que você saia por aquela porta. Mas novamente, nenhuma palavra. Eu não sei quando tu vens, nem se virá. Tu diz que o mistério é a única coisa que faz manter uma mulher. Dor também, você esqueceu de completar. Me despedaço enquanto teus olhos desenhados me sorriem no papel. Você sabe, eu sei que sabe. O LP gira; a voz desconhecida soa pelo vazio do apartamento e eu tão só quanto o próprio tempo: tudo vê, de tudo participa e ainda assim, jamais será protagonista.
Amor. Uns nascem para vivê-lo e outros para serem platéia. Eu continuo aplaudindo sentada no banco dos fundos.
103Eu sei que você não entende esses momentos de devaneios em que eu me perco nos seus cabelos, no infinito dos seus cachos, e me esqueço de dizer-lhe o que espera de mim. Mas você tem de entender que eu preciso me retirar, às vezes, para me recompor, para juntar os pedaços da minha armadura que se desmonta quando você chega, quando você passa. E você tem que entender, menino, que essa ironia e esse sarcasmo têm mais base no medo que na arrogância. Isso mesmo, no medo. Porque eu tenho medo de ser verdade o que os seus olhos me contam: de que eu estou destinado a lhe amar perdidamente. Eu tenho medo de um dia me enroscar nos seus braços e não conseguir achar o caminho de volta, de nem sequer querer encontrá-lo. Eu tenho medo de que essa represa que eu sustento com dificuldade um dia se rompa e inunde o seu mundo, e você nem fuja e, em vez disso, fique para limpar a bagunça, fique para entender as minhas agonias, fique para sempre, para mim.
Você tem que entender que, para não ficar com um pé atrás, eu tive de dar um pulo. Me segura, ou eu me arrebento. Mas acho que me arrebento se você me segurar também. Me arrebento, me devoro e me desfaço, abrindo as portas para que você entre e roube de mim o que quiser. Você tem que entender que eu levo muito a sério quando alguém segura a minha mão e diz que não vai soltar. Então, não solta. Não parta. Não fale. Não questione. Que o meu silêncio é apenas a tomada de fôlego que eu preciso para morrer no seu abraço e me despir do que me impede de verter-me em amor e fogo a cada beijo seu.